Ao visitar uma exposição de arte ficamos sempre com aquela sensação reflexiva e várias vezes saímos com um ponto final – ou de interrogação. Eduardo Berliner provoca essa inquietude em nossas mentes e devido a esse aspecto em suas obras ele se tornou um dos artistas brasileiros mais requisitados no cenário internacional. Fruto de anos de incassáveis buscas por pontos de vistas cotidianos que todos nós relegamos ao usual. A consequência desse empenho foi seu trabalho reconhecido por ninguém menos que Charles Saatchi, famoso galerista britânico. Um parênteses do próprio Edu revela um pouco mais sobre seu trabalho:
A potência do meu trabalho vem de não saber muito o que eu estou fazendo”, diz Berliner, 31, entre máscaras de lobo e recortes de jornal e revista que decoram o lugar. “Isso fertiliza a pintura, contamina, leva o desenho a outro lugar.
É uma rota direta entre os refugos da realidade e a estranheza mordaz dos quadros. Os fragmentos se juntam numa grande tela em que as composições são belas e perturbadoras.
“Essa situação é muito estranha e muito normal”, resume. “O estranho tem a ver com aquilo que eu nunca faria ou não pensaria nunca em fazer.”
Mas Berliner não é um pintor. É uma espécie de antiarquiteto da realidade. Persegue as sobras, e não as estruturas. E reinventa o real a partir de um olhar que caça o periférico.
Via Folha.


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