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Monthly Archives: February 2011

Tirei essa imagem de um puta texto do criador do Wolfram Alpha sobre inteligência artifical e Watson, o robô da IBM. Vale muito a leitura.

Bom texto do Thiago Marcondes, diretor de arte da Almap, no Update or Die.

Quando jovem, eu era um rebelde. Promovia debates, realizava festas ativistas e me vender ao sistema sempre esteve fora de cogitação. Em algum momento da minha história isso ficou para trás. Talvez uma flexibilidade moral que vem com a maturidade ou simplesmente a conclusão que as coisas são de um certo jeito. Hoje sou publicitário.

Sendo parte essencial de um sistema que eu lutava contra, cheguei a uma conclusão prática que justifica o titulo desse post: É hora da publicidade devolver ao mundo tudo aquilo que ela pegou emprestado todos esses anos.

Algumas questões ainda me assombram e, com certeza, ecoam também na cabeça de alguns de vocês. Até onde você iria? Você que não fuma faria propaganda de cigarro? Você que é tucano faria publicidade para o PT? Você vegetariano faria anúncios para um frigorífico? Ou, talvez , as perguntas certas seriam: quanto eles teriam que pagar? Qual o seu preço?

A publicidade é um dos mercados mais poderosos do mundo. É uma das poucas profissões não públicas que tem um potencial transformador tão grande. Principalmente no Brasil. Slogans publicitários são citados como velhos ditados: o efeito Tostines, assim uma Brastemp, Mil e uma utilidades são usados para exemplificar fatos do nosso dia-a-dia.

Além desse poder mobilizador, estamos vivendo uma situação muito peculiar na publicidade. Na caçada dos views perdidos só a informação, o anúncio no sentido literal, não basta. Temos que realizar algo concreto, oferecer algo mais, seja uma experiência de entretenimento, um serviço ou algo real que provoque o desejo.

Se de um lado temos grandes empresas gastando milhões em campanhas que tentam oferecer algo para as pessoas. Temos de outro, instituições sem fins lucrativos que geram o boca-a-boca tão desejado, sem dinheiro e com muito suor. E para piorar os profissionais são obrigados a dobrar suas horas de trabalho para criar cases premiáveis. Porque isso tudo não pode ser parte de uma coisa só? Por que a Evian não poderia ter feito o case do “Black boy wanting water”? Por que a Apple não poderia ter feito o “Save as WWF, save a tree”? Por que a Samsung não poderia ter feito o “Black Pixel Project”?

As pessoas lembram muito mais o que uma marca faz do que algo que ela disse. Por que isso não pode ser a favor da nossa sociedade? Por que precisamos esperar a máquina corrupta do estado se mexer se podemos gerar awareness ao resolver problemas reais? Temos nas mãos briefings milionários de corporações poderosas, vamos usá-los para o bem de todos nós. Em uma guerrilha onde o inimigo é o desperdício de idéias, que Marx me perdoe, mas… publicitários do mundo, uni-vos!!!

E pra ficar melhor, o primeiro comentário desse post vai, e muito bem, na direção contrária:

Tiago, permita-me discordar.

É claro que há algum espaço para transformação por dentro do sistema, no seu caso usando o milionário budget de marketing destas companhias para promover boas causas. Mas tal ação tem limites – na minha opinião curtos demais para que qualquer transformação mais profunda possa ocorrer por aí.

Companhias são controladas por acionistas que buscam maximizar o lucro, e ao contrário do que Milton Friedman defende, uma companhia ao buscar o máximo lucro não gera o maior bem estar da sociedade. Isso porque sua contabilidade não considera todas as externalidades negativas de sua atuação (como exemplo, considere a irrelevância para uma fábrica de salgadinhos o impacto no sistema público de saúde de uma pior alimentação) nem paga o preço completo das externalidades positivas que recebe dos bens públicos (cidadãos educados pelo estado, rodovias, etc).

Além disso, as grandes corporações são máquinas geradoras de desigualdade. Na Votorantim, por exemplo, os 200 membros da família controladora receberam 2 vezes mais grana em 2010 do que os seus cerca de 50.000 trabalhadores somados – e olha que nem estou distinguindo entre os 100 trabalhadores da diretoria que devem ficar com mais de 30% da renda total dos trabalhadores.

O marketing tem sido a ferramenta fundamental para sustentar e crescer a onda de consumo que marca nosso desenvolvimento desde a revolução industrial, e que se intensifica após a década de 1960. Gradualmente abandonamos a lógica de fazer os melhores produtos possíveis – com longa durabilidade – para fazer os produtos com design mais charmoso, e mais rapidamente substituíveis. Alterar esta tendência – destruidora em termos ambientais e sociais, mas uma máquina de fazer dinheiro para as corporações – é passo essencial para criarmos um mundo melhor!

Se queremos utilizar o marketing para promover o bem comum, acho que o ponto de partida é buscar acabar com esta onda de consumismo. Talvez a promoção de cooprrativas, com uma estrutura proprietária diferente, e uma visão política diferente do mundo também seja um bom início.

Eu acredito profundamente no poder da comunicação. Mas não nos limites estabelecidos dentro das companhias!

Os dois estão certos!

Via UoD.

47%. Sim, é isso mesmo. 47%!! Nada simboliza tão bem a estupidez do tempo em que vivemos.

By way of comparison, Google’s profit margin is is 29% and Apple’s is 28%, and both of those are considered fantastically profitable. Facebook had a profit margin close to 30% as well in 2010. Salesforce and Amazon by contrast, also very respected companies, have profit margins closer to 5%.

In fact, tech companies might not be the best comparison. Hermès, the world’s most lauded luxury brand — a company whose business is selling $20,000 handbags — has a profit margin around 30%. When one of your writers was in business school, a professor with extensive experience in the luxury industry told us that Chanel, a private company which doesn’t report financials, was rumored to be the most profitable company in Europe with profit margins of 45%.

Zynga is either the most profitable company ever – or it’s very close to it.

The main reason this kind of profitability is possible is that Zynga sells “virtual goods.” They don’t cost much of anything to make, don’t need to be shipped to shelves, and don’t need any kind of sales force to be sold.

Detalhe: isso aí já inclui os 30% que a Zynga tem que pagar ao facebook.

Nesse link da Business Insider dá pra ver uma assustadora análise da mecânica de um dos jogos da Zynga, o FishVille. Sim, tem idiotas que criam aquários virtuais e compram peixes virtuais.

Via UoD.

Já ouviu falar nisso? O The Guardian explica:

Every month more evidence piles up, suggesting that online comment threads and forums are being hijacked by people who aren’t what they seem.

The anonymity of the web gives companies and governments golden opportunities to run astroturf operations: fake grassroots campaigns that create the impression that large numbers of people are demanding or opposing particular policies. This deception is most likely to occur where the interests of companies or governments come into conflict with the interests of the public. For example, there’s a long history of tobacco companies creating astroturf groups to fight attempts to regulate them.

After I wrote about online astroturfing in December, I was contacted by a whistleblower. He was part of a commercial team employed to infest internet forums and comment threads on behalf of corporate clients, promoting their causes and arguing with anyone who opposed them.

Like the other members of the team, he posed as a disinterested member of the public. Or, to be more accurate, as a crowd of disinterested members of the public: he used 70 personas, both to avoid detection and to create the impression there was widespread support for his pro-corporate arguments. I’ll reveal more about what he told me when I’ve finished the investigation I’m working on.

O mais interessante é que lá pelo meio do artigo é mencionada a empresa HBGary Federal. Esta empresa foi contratada pelo Bank of America para minar o Wikileaks, que contém dados sigilosos e embaraçosos do banco e promete jogar a merda no ventilador em breve. E eles fizeram isso rasgando um por um os artigos da constituição americana. O mais bacana é que uma das formas de minar o Wikileaks era indo pra cima do Anonymous, um grupo de hackers justiceiros que atacavam empresas que boicotavam o Wikileaks. A HBGary desvendou alguns de seus integrantes, e recebeu como troco uma invasão no seu sistema e a publicação de dados que mostram bem a forma anti-ética como eles trabalham. Essa matéria da Wired conta tudo. Abaixo, um pouco da metodologia da HGBary:

• Companies now use “persona management software”, which multiplies the efforts of each astroturfer, creating the impression that there’s major support for what a corporation or government is trying to do.

• This software creates all the online furniture a real person would possess: a name, email accounts, web pages and social media. In other words, it automatically generates what look like authentic profiles, making it hard to tell the difference between a virtual robot and a real commentator.

• Fake accounts can be kept updated by automatically reposting or linking to content generated elsewhere, reinforcing the impression that the account holders are real and active.

• Human astroturfers can then be assigned these “pre-aged” accounts to create a back story, suggesting that they’ve been busy linking and retweeting for months. No one would suspect that they came onto the scene for the first time a moment ago, for the sole purpose of attacking an article on climate science or arguing against new controls on salt in junk food.

• With some clever use of social media, astroturfers can, in the security firm’s words, “make it appear as if a persona was actually at a conference and introduce himself/herself to key individuals as part of the exercise … There are a variety of social media tricks we can use to add a level of realness to fictitious personas.”

Concluindo:

Software like this has the potential to destroy the internet as a forum for constructive debate. It jeopardises the notion of online democracy. Comment threads on issues with major commercial implications are already being wrecked by what look like armies of organised trolls – as you can sometimes see on guardian.co.uk.

The internet is a wonderful gift, but it’s also a bonanza for corporate lobbyists, viral marketers and government spin doctors, who can operate in cyberspace without regulation, accountability or fear of detection. So let me repeat the question I’ve put in previous articles, and which has yet to be satisfactorily answered: what should we do to fight these tactics?

Belo vídeo para entender essa indústria.

Via The Guardian

De arrepiar.

Aqui os criadores explicam o processo.

Via Brainstorm9

Sim, é isso que você está imaginando. Tem uma câmera no carrinho para você gravar a sua corrida e, espante-se, uma tela de LCD embaixo (!?!?!) do carro. Ainda dá para enviar pelas redes sociais, depois de editar e acrescentar efeitos e som. Tem mais. Você ainda pode colocar o carrinho no seu skate ou capacete e filmar suas incursões sobre rodas.

Via UoD.

A opinião que tá no título é de Jonathan Blow, um game designer, em uma boa entrevista sobre jogos:

Jonathan Blow: Well, they’re not very social. A game like World of Warcraft or Counter-Strike or whatever is way more social. Because you actually meet new people in clans or guilds. You go do activities together and help each other out, right?

[With certain social games] it’s about the game exploiting your friends list that you already made, so it’s not really about meeting people. And it’s not really about doing things with them because you’re never playing at the same time. It’s about using your friends as resources to progress in the game, which is the opposite of actual sociality or friendship. Maybe not exactly, but it’s not the same thing, right? They’re really just called social games because they run on social networks but they’re way less [social] – like sitting down and playing a board game with friends at a party is a way more social game. That’s an intensely social experience, right? So, like whatever. I hate that name.

PC Gamer: Do you still think social games are “evil” then?

Jonathan Blow: Yes. Absolutely. There’s no other word for it except evil. Of course you can debate anything, but the general definition of evil in the real world, where there isn’t like the villain in the mountain fortress, is selfishness to the detriment of others or to the detriment of the world. And that’s exactly what [most of these games are].

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