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A edição de número 37 da revista Piauí traz a tradução de uma puta matéria da New Yorker sobre Frederic Bourdin, um sujeito muito louco que recebeu o apelido de Camaleão.

A onda do cara – um dos maiores impostores que se tem notícia – é se passar por outras pessoas. Mas em suas farsas ele não busca nenhuma vantagem financeira ou sexual. O que ele quer é atenção. Não à toa, ele sempre se passa por jovens solitários, vítimas de maus tratos.

“Eu podia ser um ótimo ator, como Arnold Schwarzenegger ou Sylvester Stallone. Mas não tenho vontade de representar outras pessoas. Quero ser outras pessoas.”

Bem, a história mais louca desse sujeito começa logo após ele ser desmascarado e ameaçado de prisão. Desesperado, ligou para um Centro de Crianças Desaparecidas nos EUA à cata de uma nova identidade. Após dar uma descrição de suas características físicas, a atendente checou no sistema que uma criança chamada Nicholas Barclay, desaparecida em San Antonio, se encaixava no perfil que Frederic buscava. Após pedir uma foto por fax, pintou o cabelo de loiro e fez a tatuagem de uma cruz em sua mão, para ficar igual ao menino sumido. Não tinha como mudar a cor dos olhos, mas para isso inventou a história que a cor original dos olhos de Nicholas mudou por conta de injeções aplicadas em seus olhos no cativeiro.

Pois bem, Frederic, com esta mirabolante história, enganou as autoridades européias e americanas e viajou para os EUA, para encontrar sua “família”. Lá chegando, para sua surpresa foi reconhecido pela família e lá passou a viver, apesar de a mãe e o irmão lhe dispensarem uma recepção fria.  A história é longa, recomendo a leitura, mas no fim das contas, um detetive desmonta a farsa de Frederic e, junto com o impostor, suspeita que na verdade Nicholas tenha sido morto por seu irmão, e sua mãe, com medo de denunciar o filho, ficou calada.  Os dois, surpresos com o reaparecimento do filho, ficaram com medo de apontar a farsa e serem acusados pela morte de Nicholas.

História foda, né?? Mas falta a melhor parte. Hoje casado e esperando um filho (embora sua mãe e avó não acreditem na história), Frederic agora tem um emprego.  Graças ao seu talento de persuasão, se tornou um excelente operador de telemarketing. Nas palavras de Frederic:

“Digamos que tenho jeito para a coisa.”

Nada como uma história foda e uma fina ironia ao fim.

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