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Longe, muito longe!

Existe uma certa condescendência por parte da imprensa – e mais ainda da crítica – em relação à Turma da Mônica. Muito provavelmente por razões nacionalistas – não é de hoje que os quadrinhos brasileiros tentam se impor no mercado nacional diante das grandes empresas norte-americanas.

Na verdade, a exemplo da Disney, a Turma da Mônica, há muito tempo é bem mais que um grupo de personagens de Histórias em Quadrinhos (HQ). Estamos tratando de uma marca fazedora de dinheiro de uma grande empresa – Maurício de Souza Produções – que se manifesta em brinquedos, sabonetes, xampus, fraldas, pentes, parques temáticos… Enfim, uma gigantesca quantidade de produtos infantis.

Porra, onde já se viu empresa ganhar dinheiro? Que absurdo!

A questão, porém, não é a dimensão ou os negócios da empresa. Não é o que interessa no momento. Vai se tratar aqui dos personagens da Turma e, em especial, da relação desses personagens com a violência.

Agora que o negócio começa a ficar divertido:

Ao que parece, os adultos leitores ou pais de crianças que lêem os gibis da Mônica são condescendente com esta prática da violência. Afinal, para uns, “é uma menina”. Isto é, violência feminina pode, masculina não. Na verdade, estamos transferindo para o mundo infantil uma cultura do mundo adulto. A lógica é: se o nosso mundo adulto é machista, com extraordinários índices de violência masculina contra a mulher, é bom que as mulheres reajam. Esse pensamento comete um erro grave: a violência contra a mulher não pode ser corrigida com a mulher também sendo violenta.

De uma coisa o escrevinhador – o brilhante Dioclécio Luz – não pode ser acusado: falta de criatividade.

A Magali merece uma observação mais cuidadosa. Ela é uma menina que tem obsessão por comida. E como as histórias da Maurício de Souza Produções abordam isso? Como algo normal. Ter obsessão por comer, para a Maurício de Souza Produções, não é problema.

Há uma confusão no discurso da Magali (o dela e o de quem a faz falar): a obsessão por comida é considerada um traço da sua personalidade, mas não causa efeitos negativos sobre a saúde. Esse é o problema. Se uma criança que tenha obsessão por comer se identificar com Magali, não vai se esforçar para romper com essa obsessão.

Isto é, os roteiristas e desenhistas eliminaram das histórias o que é consequência natural de quem come demais. Todo mundo que come bastante engorda. Magali, não. Porque a Maurício de Souza Produções eliminou essa parte da história da Magali? Pode-se pensar em várias alternativas: para focar no clichê da obsessão por comida; para não discriminar leitores e leitoras que têm essa obsessão; para não ferir os interesses comerciais da revista que costuma publicar anúncios de biscoitos e guloseimas para o público infantil.

Agora o Dioclécio se supera, se prepara aí que essa é boa:

Chico Bento é uma visão burguesa – distante e elitista – do campesinato. Ele não existe, o que existe é o meio em que vive, forjando todos iguais a ele. (Ele não existe porque não pensa, tomando de empréstimo o cogito cartesiano.) Não pensa como uma pessoa chamada Chico Bento, mas como o protótipo de um ser qualquer, genérico, que vive no meio rural. A gente identifica Chico Bento por causa do ambiente, da roupa, do sotaque caipira. Mas Chico Bento pode ser qualquer um.

Porra, tio, esqueceu de tomar o remédio?

Neste sentido, a Turma da Mônica é um retrocesso. É um monte de clichês, como era comum principalmente nos personagens de Walt Disney – sem opinião e naturalmente conservadores. Sim, Disney foi um histórico conservador, conhecido por delatar aqueles que lhe pareciam comunistas na época do presidente McArthur.

São esses caras que se querem juízes da mídia, da propaganda, do comportamento alheio.

Esse texto, pasmem, foi publicado no Observatório da Imprensa.

6 Comments

  1. Isso é tão sem sentido, tão maniqueísta, que dá vontade de rir.

  2. ou chorar, se pensarmos que essa patrulha um dia pode ser levada a sério…

  3. vi em um site por aí:

    Mônica: Pais a mandariam para terapia à base de Florais e comida macrobiótica; se converte ao Hare Krishna e brinca c/filhos de Nando Reis.

    Cascão: submetido a tratamento hipnótico, perde a “hidrofobia” e sonha em ser médico sanitarista.

    Chico Bento: estimulado pelos professores, entra para o MST e confisca a goiabeira capitalista do Nhô Lau.

    Cebolinha: após incontáveis sessões de fonoaudiologia, passa o tempo todo imitando Galvão Bueno no campinho da Rua do Limoeiro.

    Magali: após ser flagrada vomitando o almoço, sua mãe descobre a razão de sua magreza e a encaminha para a reabilitação contra bulimia.

    Bidu e Floquinho: após uma temporada com Cesar Millan, voltam para os donos com “comportamento calmo e submisso”.

    E, claro, o nome “Turma da Mônica” (claramente opressivo e contra os preceitos anarco-comunistas) seria mudado para “Coletivo Proletário de Libertação da Rua do Limoeiro”.

  4. Taqueuspa hein!?

  5. AHOHDADSIUOHSAD
    é rir pra não chorar


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